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domingo, 7 de dezembro de 2025

Entrevista com Marcelo Barros, Presidente da Associação Atlética Portuguesa

Marcelo Barros
Esporte Rio conversou com Marcelo Barrospresidente da Portuguesa, um clube que passou por uma verdadeira revolução nos últimos anos.



Bato-Papo com Marcelo Barros

ER: Quem é Marcelo Barros?

MB: Quem sou eu? Sou um cara que viveu a vida inteira dentro do esporte. Apesar de não exercer mais esta função, sou professor de educação física e empresário. Trabalho também na prefeitura e sou um cara apaixonado pela Ilha do Governador, principalmente pela Portuguesa.

Aqui aprendi praticamente tudo o que sei sobre o clube desde o nascimento. Foi graças a meu pai, João Rego, que talvez tenha sido um dos maiores presidentes que o clube já teve. Ele me ensinou tudo, tudo, tudo na vida. Ele me ensinou a ser Portuguesa, a amar a Portuguesa. Ele talvez tenha sido o cara que mais amasse a Portuguesa. Então, este sou eu: um cara que vibra e é louco por ver a Portuguesa grande.

ER: Por que ser Presidente da Portuguesa?

MB: Porque eu acho que a Portuguesa precisa continuar no caminho do crescimento. A gente não mede esforços para que isso aconteça. Durante estes 15 anos em que estamos à frente do clube, temos feito uma engenharia financeira, pagamos as dívidas e fizemos uma engenharia para o clube crescer.

Acho que a gente conseguiu avançar muito. Este é o grande motivo. A gente tenta dar um pouco de nós, enquanto tiver energia e vontade para tentar ajudar o clube, da maneira que conhecemos e sabemos fazer.

ER: Quantos sócios em dia tem o clube e quanto custa a mensalidade?

MB: A gente tem 12 mil sócios, somando os dependentes e os sócios proprietários. Os sócios ativos, com a mensalidade em dia, são três mil e pouco. A mensalidade custa R$ 100,00.

ER: Na sua visão, é mais fácil gerir um clube pequeno da capital ou um time do interior do estado do Rio?

MB: Sem sombra de dúvidas, é mais fácil gerir um clube pequeno da capital. Primeiro, porque para o jogador é mais fácil ter acesso. Trazer jogadores para a capital é mais fácil do que você levá-los para o interior. Não tenho dúvidas disso. Agora, trabalhar em um clube pequeno, gerir um clube pequeno, é igual em todos os lugares, tirando esta diferença de você estando na capital, ter mais facilidade de trazer jogadores e tentar arrumar algum patrocínio. Há algumas diferenças, mas no dia a dia é bastante parecido.
 

ER:  A Portuguesa passou por uma modernização gigante nos últimos dez, quinze anos. Futebol e clube melhoraram muito. Além do senhor, a quem e a que se deve este resultado?

MB: Faço questão de pontuar esta questão porque passamos por muitas dificuldades no início, quando a gente assumiu. Tivemos que arregaçar muito a manga para, primeiro, dar credibilidade ao clube que não tinha. Depois disso, conseguimos trazer parceiros, patrocinadores e começamos a fazer eventos, resgatando o orgulho de ser lusitano.

Buscamos trazer novas torcidas que não existiam. Hoje, a gente vê o estádio cheio. Ficamos muito felizes com isso, sinal de que a gente está no caminho certo. É preciso dar crédito à diretoria, às pessoas que estão conosco no dia a dia, principalmente às que começaram 15 anos atrás conosco e acreditaram que seria possível. Gostaria de agradecer a cada uma destas pessoas e dizer que hoje chegamos aqui e que valeu muito a pena todo o sacrifício.
 

ER: O estádio está sendo ampliado. Quando ficará pronto e qual será sua nova capacidade? No futuro ainda haverá espaço para uma nova ampliação?

MB: O estádio está sendo ampliado. É um sonho que eu tenho desde criança, o de ver o anel fechado. Vai ficar faltando apenas um pedaço, mas acho que a gente avançou muito sem destruir o resto do patrimônio do clube. Priorizamos fazer arquibancadas de concreto deste lado de cá. Em linhas gerais, são pequenas, mas funcionais.

Conseguimos com estas três arquibancadas chegar a uma capacidade de 14 mil pessoas. Claro que isso ainda será analisado pelos bombeiros. O nosso engenheiro fala 14, mas o Corpo de Bombeiros pode diminuir este número. Isso depende dos testes de segurança. Enfim, quem determina são eles. A gente está no caminho certo. Esta ampliação será muito importante para todos

É mais uma praça esportiva moderna para o Rio de Janeiro. A Portuguesa ganha muito com isso, pois o torcedor ficará próximo ao campo ajudando a nossa equipe. O futebol carioca também ganha com uma praça próxima de tudo, já experimentada, que vai servir para grandes espetáculos.

Ainda haverá espaço para outra ampliação. A primeira etapa foi estaquear todo o terreno. A segunda etapa é concluir as três arquibancadas que ficarão prontas em dezembro. Estamos trabalhando todo sábado e domingo para terminar esta obra antes do final do ano. Depois, temos o entendimento para aproveitar o material da Prefeitura para fazer uma arquibancada grande lá do outro lado. Aquela arquibancada será maior.

Dá para fazer o que quiser ali porque há muito espaço livre. Com o material que temos, dá para construir 10 mil lugares. Porém, se vendermos os naming rights do estádio, ou se houver o aporte de um grande clube que queira ajudar, ou de algum patrocinador, a gente pode fazer o número que a gente quiser. A arquibancada lá pode ser gigantesca ou pode ser de tamanho médio.

Isso dependerá exclusivamente dos recursos financeiros que o clube terá no futuro. Hoje, todo o investimento que nós tínhamos, aplicamos na construção destas três arquibancadas. Aquela arquibancada do outro lado lá ficará para um futuro próximo. A gente espera que seja breve, pois o nosso interesse agora é vender o naming do estádio e, consequentemente, vendendo o naming, a gente termina o estádio.

ER:  Em 2026, a Portuguesa vai disputar o Campeonato Estadual, a Copa do Brasil, a Série D do Brasileirão e a Copa Rio. O time será competitivo para brigar por estes títulos?

MB: Depois de todo este investimento da obra, todos os esforços serão voltados para a equipe. Tudo o que a gente receber, vamos injetar no time. Hoje em dia, o futebol está muito competitivo. Este negócio de SAF está inflacionando muito o mercado. Todos os times estão com certa dificuldade de contratação. A gente não está medindo esforços para poder montar uma equipe competitiva. Com certeza não será diferente em 2026. A Portuguesa vai investir bastante para alcançar seus objetivos.

ER: A CBF e a FERJ ajudam os clubes pequenos? Se o senhor pudesse pedir algo a estas entidades, o que o senhor pediria?

MB: A Federação tem ajudado sim, na medida do possível. Está ajudando a melhorar os gramados, dando suporte e tentando melhorar os contratos de televisionamento. O presidente Rubens tem feito um bom trabalho à frente da federação. A gente está  bastante feliz com o trabalho feito por ele.

A CBF tem melhorado bastante a sua forma de visualizar a Série D. A gente espera que melhore cada vez mais. Que a gente possa ter uma cota, uma cota melhor. Jogar a Série D é uma competição muito difícil, que tem muito custo. Ela é deficitária. A gente precisa ter recursos para fazer esta competição. O futebol está se modernizando. A gente sabe disso. Cada dia que passa, a tendência é que sempre melhore.

ER: O que aconteceu com a Copa Rubro-Verde? Ela voltará a ser disputada?

MB: A Copa Rubro-Verde foi uma competição criada por mim e pelo presidente da Portuguesa de Desportos (SP), que teve a ideia. Com certeza, no futuro próximo, ela será disputada novamente. Tenho ciência disso. A gente vai formentar isso em breve.

ER:  A Portuguesa é a nova quinta força da cidade do Rio de Janeiro?

MB: A Portuguesa não se preocupa com isso. A gente se preocupa em ter uma equipe competitiva e alcançar nossos objetivos. Acho que hoje, a quinta força do estado do Rio é o Volta Redonda, pelo poder de recursos de estar na Série B — infelizmente, caiu para a Série C. É a equipe melhor colocada entre as menores. Eu espero que outros clubes, não só a Portuguesa, consigam ascender à Série C.

É isso que a gente planeja. Esperamos que o Volta Redonda e outros clubes do Rio cheguem à Série B para ficar. Acredito muito que o futebol do Rio tenha muito a acrescentar a estas competições. Para o futuro, vamos nos fortalecer mais ainda e conseguir fazer com que os clubes do Rio possam estar disputando estas competições maiores.

ER: O futebol profissional é a grande vitrine de qualquer clube, principalmente dos clubes formadores. Gostaria que o senhor comentasse sobre a curta duração dos campeonatos estaduais. Por exemplo, a Série A vai apenas de janeiro a março. O ano acaba ali para quem não disputa a Série D do Brasileirão.

MB: Este é um ano diferente. O ano que vem terá a Copa do Mundo. Consequentemente, a Série A do Brasileiro vai começar em janeiro. Então é natural que a competição fosse achatada. É normal. A gente já esperava isso. É claro que a gente gostaria que tivesse mais datas.Entendemos que o calendário do futebol brasileiro está muito encurtado. Está muito complicado. Para o futuro, a tendência é que a coisa se normalize.

ER: Após o episódio da pizza na final da Copa Rio, houve algum contato entre a Portuguesa e America? Como está a relação entre os clubes?

MB: Está tudo normal entre Portuguesa e America. Pelo contrário, só fortaleceu. A diretoria sempre tratou muito bem o America. É claro que existe uma rivalidade entre as duas torcidas, que já é antiga. Porém, entre as diretorias, sempre vai haver respeito e consideração. Inclusive, ontem, estive falando como Senador do Romário. Repito: pelo contrário, só fortaleceu.

Acho que o Romário está fazendo um belo trabalho no America. Fizemos a maior Copa Rio de todos os tempos, competição do segundo semestre do Rio de Janeiro. A gente valorizou muito a competição. Foram dois grandes jogos, tanto lá, quanto aqui. O America mostrou sua grandeza e a Portuguesa também. Lotamos os estádios tanto lá quanto aqui. Foi uma grande final e a Portuguesa foi feliz. Ficou aí uma grande parceria entre os clubes. Houve respeito mútuo entre os clubes. Quem ganhou o futebol carioca. A gente só engrandeceu a Copa Rio com esta grande final.

ER: Além do futebol, o clube oferece escolinha de alguma outra modalidade esportiva? Futsal ou natação, por exemplo?

MB: Sim, a Portuguesa tem a parte social muito forte. Temos projetos aqui dentro do clube de autismo, natação para crianças autistas totalmente grátis, oferecidos pelo clube. Temos outras atividades gratuitas. Também oferecemos escolinhas de futebol, futsal, natação, hidroginástica, lutas, entre outros. Há várias atividades aqui na Portuguesa, tanto para associados quanto para não sócios.

O clube é muito movimentado na parte social e a gente quer movimentar ainda mais. Temos um espaço bem bacana que vem melhorando a cada dia. Ficou pronta uma academia agora de 700 metros quadrados. O clube está muito movimentado. A gente quer o clube vivo e povoado. Sabemos que isso é muito importante, mas dá trabalho. É importante não somente para as pessoas, como também para o futebol, porque os frequentadores acabam interagindo com o futebol e conosco.

ER: Quais os benefícios para o associado da Portuguesa? Há eventos na sede do clube?

MB: Temos várias atividades gratuitas no clube. Oferecemos aos associados nossa piscina olímpica, piscina para crianças, outra piscina aquecida que fica embaixo, de 25 m, varandas, churrasqueira, sauna, ginásio, campo sintético, campos para peladas de final de semana. Temos uma série de atividades aqui no clube, como eventos. No dia 13 de dezembro teremos o Double You, uma atração internacional. O sócio tem sempre benefício para participar destes eventos.

ER: Qual o futuro da sede da Portuguesa? Há planos para alguma nova estrutura, melhorias, algum novo esporte ou atividade?

MB: Já conseguimos avançar bastante na parte social. Construimos três campos sintéticos e iluminamos todos eles. Estamos fazendo novas churrasqueiras; entregamos uma academia nova. Nossa tendência agora é melhorar o parque aquático. Construimos um novo quiosque na área da piscina. Fizemos uma pintura total no estádio. Fizemos uma parceria com uma empresa para fazer toda a hipermeabilização do telhado do clube. Reformamos os bares dos clubes. Está tudo novo. Enfim, a gente está dando uma roupagem no clube. O nosso sonho de consumo é construir umas quadras de tênis. Em breve, as teremos.

ER: Quando o clube terá um site atualizado (a última notícia é de 2024)?

MB: Estamos reformulando o site. Trouxemos uma pessoa para isso e em breve lançaremos o novo site, assim como a TV Lusa. Colocaremos novamente estes canais para interagir com o público. Este é o nosso compromisso para 2026, o de melhorar a parte da informação. A assessoria de imprensa vai trabalhar bastante também para melhorar o nosso canal de comunicação.

ER: A Portuguesa faz um belo trabalho no futsal. É possível pensar num investimento maior no futsal? Colocar o time na Liga Futsal, por exemplo?

MB:  
O futsal faz um grande trabalho realmente. A gente sempre tentou ajudar da maneira que a gente pôde. Para podermos participar da Liga Futsal, é preciso ter um patrocinador, um investidor. Temos os pés juntos no chão e sabemos onde podemos pisar. Estamos abertos, porém, a um parceiro que possa fomentar este esporte.

ER: O parque aquático da Lusa está lindo. É possível pensar que a Lusa faça parte da FARJ e dispute competições de natação?

MB: A mesma coisa a natação. A gente entende que os recursos do clube são muito direcionados ao futebol para podermos nos sustentar, nos manter e subir de divisão, ou brigar para subir. Então, para os outros esportes olímpicos, precisamos de investimentos, parceiros, para poder formentá-los.

ER: Chegou-se a especular a entrada da Portuguesa num projeto social de atletismo na Ilha do Governador. Isso procede?

MB: Sim, a Portuguesa voltou a disputar atletismo. Conseguimos alguns bons resultados na primeira disputa agora. Estamos voltando com o atletismo. Tínhamos parado. Disputamos semana passada a primeira competição. No ano de 2026, vamos fomentar bastante este esporte. Estamos treinando lá na VIla Olímpica da Ilha e disputando as competições que podemos disputar. Acho importante que a gente possa participar, revelar novos talentos. Tudo o que for relacionado ao esporte, na medida do possível, a gente vai estar entrando.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Entrevista com George Joaquim, Presidente do Bonsucesso Futebol Clube

George Joaquim
O
Esporte Rio conversou com George Joaquim, presidente do Bonsucesso, líder da terceira divisão do Campeonato Estadual. O clube rubro-anil vive realisticamente dentro de sua realidade que é comum a praticamente todos os clubes de fora da elite do futebol fluminense.



Bato-Papo com George Joaquim

ER: Quem é George Joaquim?

GJ: George Joaquim é um professor de Geografia de 54 anos e torcedor do tradicional clube da região da Leopoldina do Rio de Janeiro que possui as cores mais belas do futebol carioca, o Bonsucesso F.C. Desde janeiro de 2024 sou presidente do clube que aprendi a amar, herança de família do meu querido avô Benjamim.

 

ER: Como o Bonsucesso sobrevive hoje em dia?

GJ: Sobrevive das mensalidades sociais e dos aluguéis das lojas que estão localizadas na sede do clube e dos aluguéis de eventos no salão nobre.

 

ER: Quantos sócios em dia tem o clube e quanto custa a mensalidade?

GJ: Por volta de 100 pagantes entre titulares e dependentes. A mensalidade é de 60,00 para titulares contribuintes e 30,00 para dependentes.

 

ER: Além do futebol, o clube oferece escolinha de alguma outra modalidade esportiva? Futsal ou Natação, por exemplo?

GJ: Natação.

 

ER: Quais os benefícios para o associado do Bonsucesso? Há eventos na sede do clube?

GJ: Os benefícios estão no uso da piscina e eventos.

 

ER: Qual o futuro da sede da Teixeira de Castro? Ampliar o estádio, construir alguma estrutura nova?

GJ: Por enquanto estamos encaminhando projeto de revitalização do estádio, inclusive com instalação de novos refletores.

 

ER: Quanto custa manter o time profissional que joga a Série B-1 e como se faz para pagar a conta?

GJ: O time principal está recebendo investimento externo e os valores não estão à exposição.

 

ER: O futebol profissional é a grande vitrine de qualquer clube, principalmente dos clubes formadores. Gostaria que o senhor comentasse sobre a curta duração dos campeonatos estaduais. Por exemplo a Série B-1 vai apenas de setembro a novembro.

GJ: A curta duração dos campeonatos regionais é um caminho para diminuição dos custos do futebol profissional, principalmente nas divisões inferiores, e em relação aos que disputam a série A do Carioca, a curta duração também está ligada ao calendário nacional oferecido pela CBF.

 

ER: O Bonsucesso aposta na base como clube formador. O senhor acredita que o trabalho desenvolvido pelo seu clube seja diferente da base desenvolvida por outros clubes, como São Cristóvão e Madureira? Em que sentido?

GJ: O Bonsucesso busca parcerias para o investimento da base. Sem essas parcerias, a manutenção da base é muito difícil.

 

ER: O que fazer para o Bonsucesso voltar à primeira divisão?

GJ: Parcerias seguras para investimentos de qualidade para ascender até a 1ª divisão, série A.

 

ER: A CBF e a FERJ ajudam os clubes pequenos? Se o senhor pudesse pedir algo a estas entidades, o que o senhor pediria?

GJ: Acredito que seja até uma situação difícil para as entidades buscarem recursos aos clubes de menores investimentos, devido à baixa visibilidade da competição. A diminuição dos custos para o clube mandante e ampliação das premiações nas competições oficiais, seriam ótimas ações.

 

ER: Se o Bonsucesso vende os craques que forma para sobreviver financeiramente, como vai atingir o objetivo do clube que é ser campeão?

GJ: O objetivo de ser campeão depende do planejamento de cada competição. A venda de jogadores e contratação de outros vai se ajustar à realidade do clube para cada competição.

 

ER: Na sua visão, é mais fácil gerir um clube pequeno da capital ou um time do interior do estado do Rio?

GJ: Acredito que um clube do interior possa ter uma sorte maior que um clube da capital, devido a atuação mais próxima da prefeitura.

 

ER: O Ciclismo foi um esporte muito importante na história do clube. É possível reativar o departamento de ciclismo e ver o clube competindo nas competições da FECIERJ?

GJ: Se houver parcerias, toda competição será bem recebida.

 

ER: Ao longo do Século XX, o clube era referência em outras modalidades como a esgrima. Existe algum projeto de reativar este ou outro esporte amador do clube?

GJ: As parcerias são essenciais para incentivar qualquer esporte amador no clube.

 

ER: O clube já teve muitas escolinhas de artes marciais. Há procura por estes esportes? O clube pensa em investir nestas modalidades em busca de títulos?

GJ: Para o momento, sem parcerias, não há planejamento para esses esportes.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Entrevista com Alexandre Badolato

Entrevistamos Alexandre Badolato, o homem por trás do ressurgimento da marca, das mesas e dos times de botão da Brianezi. Os botões de futmesa mais bonitos da história voltaram em 2020.


Conheça Alexandre Badolato e a Brianezi

ER: Como começou a Brianezi?
AB: A Brianezi foi fundada em 1972 por Paulo Brianezi. Ele tinha uma loja de sapatos e começou a fazer os botões no fundo da loja. Em 1972 a operação foi formalizada e a empresa foi aberta. Ano que vem vamos comemorar o Jubileu de Ouro da Brianezi, 50 anos de fundação.

ER: Por que a Brianezi parou de fabricar nos anos 80?
AB: A Brianezi interrompeu as atividades no ano 2000, após uma ação até certo ponto truculenta do então Clube dos 13 relacionada aos royalties pelo uso do escudo dos clubes.

Quando a Brianezi foi fundada ninguém falava em royalties, direitos de utilização de marcas de clubes de futebol, etc ... Esse assunto passou a ser trabalhado pelos clubes brasileiros principalmente a partir dos anos 90, com um combate forte à pirataria ... E na onda a pequena fábrica de times de botões entrou na mesma onda.

Para encerrar o processo a Brianezi assinou um acordo à época, pagando um pesada indenização e se comprometendo a não mais fabricar os times usando o escudo dos clubes. A partir daí a operação se inviabilizou.

ER: A ideia de voltar a fabricar surgiu de quem?
AB: Foi minha. Eu era apaixonado pelos Botões Brianezi desde 1978. Meses antes da Copa do Mundo da Argentina, meu pai trouze dois times Brianezi para casa e foi uma paixão avassaladora. Montei uma coleção e joguei muito no final dos anos 70 e maior parte dos anos 80. Parei e jogar no final dos anos 80 e empacotei meus botões.

Em 2016 eu me tive um problema sério de saúde, cujo tratamento levou cerca de dois anos ... Nesse período reencontrei meus botões que estavam empacotados há quase três décadas, e a paixão se reacendeu violentamente. Voltei a colecionar, procurar os Brianezi remanescentes como louco, E não me conformava de uma marca tão forte, que marcou a vida de tanta gente, simplesmente desaparecer. Não fazia sentido aquilo.

Passei então a tentar encontrar o Lúcio Brianezi, que tocou a operação desde 1978 até 2000, assumindo a fábrica após a morte do pai e fundador Paulo. O Lúcio havia se afastado completamente do mundo do botão, ninguém que eu conhecia sabia dele. Até que uma certa noite de 2019 o Lúcio apareceu em uma das ligas de São Paulo com dois times de botão para jogar. Um dos amigos que eu havia demonstrado meu interesse em encontrar o Lúcio estava lá e, a partir daí, a Brianezi começou a renascer. Assinamos o retorno da Brianezi na véspera de Natal de 2019. Dois meses e meio depois estourava a pandemia ...

ER: Não é arriscado voltar a fabricar num momento de crise econômica, crise financeira e também crise no futebol de botão?
AB:Vou ser totalmente transparente e direto aqui ... A Brianezi é deficitária, dá prejuízo. O processo de aplicação dos decalques e pintura, bem como a confecção dos goleiros e das bolinhas é totalmente manual ... Para a conta fechar os times deveriam custar quase o dobro do que custam hoje.

Mas o objetivo da volta da Brianezi nunca foi financeiro, mas sim o prazer de ver as lendárias caixinhas azuis de volta ao mercado.

Hoje a Brianezi está dentro de uma holding que abriga outras empresas de segmentos diversos e, por isso, ela consegue sobreviver mesmo sendo deficitária.

Obviamente uma operação não pode ser deficitária para sempre, isso não se sustenta. A expectativa é que os volumes cresçam mês a mês, melhorando nossa escala e resultados.

Mas não posso deixar de citar que a volta da Brianezi deu ocupação e renda para muita gente na pandemia. No pior momento da doença pelo menos 15 pessoas que estavam desempregadas passaram a ter uma renda aplicando decalques e pintando botões em casa. Montamos uma logística que os prestadores recebiam treinamento e depois recolhiam os kits, levavam para casa e devolviam com os decalques aplicados retirando um novo kit para dar sequência ao trabalho. Acho que só isso já valeu o investimento que fizemos.

ER: Quantos botões a Brianezi fabrica e vende atualmente?
AB: Uma média de 600 times por mês. São 6000 novos pequenos atletas criados por mês.

ER: FIFA e outros games são os maiores inimigos do botão?
AB: Acho que não.

Obviamente quando os games de futebol passaram a ser mais realistas, a criançada ficou encantada ...

Hoje ninguém mais se impacta com o realismo absurdo, virou coisa comum. Não vejo muitas crianças jogando FIFA ou similares, isso é coisa de gente mais velha. Criança hoje joga Fortnite, Roblox, Minecraft e coleciona cartas Pokemon. Ah, e assiste a horas e horas de YouTube e TikTok.

Acho que o maior inimigo do botão é o abismo que ficou entre o jogo e as gerações mais novas. A Brianezi, por exemplo, pulou uma geração. É comum escutarmos clientes super felizes com o retorno da marca para passar amor pelo botão não para os filhos, mas para os netos ! Perdemos uma geração. A maioria das crianças nem sabe o que é botão, e quando sabe é porque em algum momento ganhou um time daqueles mais vagabundos como brinde em alguma festinha, isso não seduz ninguém.

ER: As crianças e adolescentes têm comprado brianezi?
AB: Não, diretamente não. Mas estão voltando a ter contato com eles através dos pais e avós que não querem deixar essa história morrer.

ER: As federações de futmesa têm suas regras oficiais (dadinho, disco, bola 3 toques, bola 12 toques, etc). É possível reconhecer a Brianezi como botão oficial e criar a regra Brianezi?
AB: Não queremos criar regra nenhuma. Acho que uma das coisas que atrapalha o crescimento do botão é essa miríade de regras pelo Brasil. Mas enfiar uma régua goela abaixo é pior ainda. Acho que cada um tem que testar os botões e ver se atende à sua regra de preferência. Eu pessoalmente só joguei bola 12 toques.

ER: Você tem um time favorito de futebol? E um time da Brianezi que você mais gosta?
AB:A Brianezi é meio palmeirense de nascença ... kkkk .. O Paulo Brianezi era palmeirense, o Lucio é palmeirense, eu sou palmeirense ... Curiosamente não fazemos os times do Palmeiras ... kkkk ... Ainda não conseguimos a autorização / fazer o processo de licenciamento do Palmeiras.

Meus times favoritos dessa nova geração são as seleções da Austrália em verde e branco, o Brasil e azul e todas as seleções novas, aquelas que a Brianezi não fez nos anos 70 e 80. Algumas nem existiam né ? Como as ex- republicas soviéticas como a Letônia, Estônia, Ucrânia, Armênia ... 

Os clubes brasileiros que nos autorizaram são times que eu tenho um afeto enorme. Foram clubes que entenderam a nossa missão e nos autorizaram a usar as marcas e escudo. Muito obrigado a todos eles!

ER: A Brianezi fabricava botões para outros esportes nos anos 70, como handebol e futsal. Ela vai voltar a fazer botões e mesas para estes esportes?
AB: Vamos voltar com o basquete também, já fizemos até umas mesas “double-face” de teste, futebol de um lado, basquete de outro.

O que pouca gente sabe é que a bola de basquete é maior que a de futebol. A bola é confeccionada da mesma forma, porém maior. Com a bola maior o botão bate mais embaixo dela e faz a bola subir.

Com relação ao basquete existe uma questão ainda a resolver. A Brianezi fez jogos de basquete de botão desde 1972. Na nossa sede atual temos um quadro enorme de uma foto de um jogo de basquete tirada em 1976. Porém tivemos a informação de que anos atrás outra pessoa desenvolveu um jogo de basquete de botão e pediu a patente. Ainda temos que entender o que essa patente cobre para não termos dores de cabeça.

ER: Quais os clubes e quais as seleções mais vendidos da velha fase? E da nova fase?
AB: Na fase antiga os clubes mais vendidos foram Corinthians, Flamengo e Palmeiras. As seleções do Brasil, Argentina, Itália e Alemanha.

Na fase atual os clubes vendem mais ou menos as mesmas quantidades. Quando lançamos um novo vende bem, como recentemente o Olaria e São Cristóvão do RJ. O perfil do comprador hoje é outro, é majoritariamente colecionador. Ou seja, quando tem novidades ele não quer ficar sem.

Já com relação às seleções na fase atual tem uma situação bem curiosa. A seleção que mais vendemos, disparado, é o Uruguai. No início da operação quando a produção era menor, chegou a dar briga por causa do Uruguai.

ER: Quantos clubes e quantas seleções já foram feitos pela Brianezi desde sua fundação?
AB: Puts, essa pergunta é quase impossível de se responder ... Explico ...

No tradicional catalogo verde dos anos 70 e 80 são quase 300 times. Porém, nos anos 90, com o advento da internet e das impressões a cor, a Brianezi fez quase todos os times do mundo. Houve um caso de uma encomenda de 1000 times diferentes, o cliente encomendou todos os times de todos os campeonatos nacionais do mundo. Uma loucura!

ER: Vem aí alguma novidade para os fãs da Brianezi?
AB: Sim, sempre. Nos próximos 30 dias vamos lança a linha flex, com botões flexíveis termoformados em acetato, praticamente idênticos aos da época mais festejada da Brianezi.

Para o ano que vem vamos soltar uma edição comemorativa limitada dos 50 anos da Brianezi, depois uma coleção da Copa do Catar.

Além disso sempre temos conversas com clubes para termos a autorização para produzir os times, ou seja, sempre temos alguma novidade. Semanalmente colocamos um vídeo com as novidades no canal do YouTube da Brianezi. Confiram lá.



Leitura Complementar

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Entrevista com Kleber Monteiro

Da lama à grama
Kleber Monteiro é escritor, professor de biologia e acompanha o futebol do Rio de Janeiro em suas divisões mais profundas. Se isso já não fosse muito, nosso entrevistado está "ressucitando" antigos clubes pequenos do Rio de Janeiro, que muitos nunca ouviram falar.


Esporte Rio Conversa com Kleber Monteiro

ER: Gostaria de começar esta entrevista pedindo que você conte aos leitores, quem é Kleber Monteiro?
KM: Um professor de biologia do estado do Rio de Janeiro apaixonado por futebol.

ER: Como surgiu esta paixão pelo futebol obscuro do Rio de Janeiro?
KM: Cresci vendo o meu tricolor jogando contra clubes tradicionais de bairros.

ER: A ideia do livro "Da Lama à Grama" surgiu como?
KM: A ideia era justamente tentar resgatar os clubes de menor expressão e mostrar sua importância no futebol carioca.

ER: Qual o momento mais marcante de suas andanças pelos alçapões do Rio de Janeiro?
KM: Muitas situações inusitadas. Estádios sem infraestrutura, viagens longas por locais que muitos nem sabem que existem.

ER: O que seus amigos falam quando você conta que vai se deslocar ao estádio tal para ver uma "pelada"?
KM: Que sou louco.

ER: Fluminense é seu primeiro time, certo? Qual é o time pequeno que você mais gosta?
KM: Simpatia absurda pelo Bonsucesso.

ER: Você prefere assistir a uma final de Mundial entre Fluminense e Real Madrid ou a um jogo da primeira rodada da 5ª divisão do Rio de Janeiro entre Bela Vista e Atlético Carioca?
KM: O Fluminense está acima de tudo na minha vida. Mas a emoção de ver um jogo contra o Real Madrid e Madureira é igual. Não vejo adversário. O que importa é vencer não importando a quem.

ER: Dos times pequenos do presente, você mudou seu foco para os times pequenos do passado. Como foi isso?
KM: O meu segundo livro é sobre o Andarahy A.C. já sabia que o clube era histórico, mas quando comecei a pesquisar e escrever sobre o clube, descobri que a agremiação tem uma história MUITO maior que eu esperava. Me apaixonei pelo Andarahy!

ER: Seu instagram se chama Andarahy Eterno. Que paixão é esta pelo Andarahy?
KM: Uma nova paixão futebolística.

ER: O America adquiriu o Andarahy há muitos anos. Você tem um carinho pelo America?
KM: Tenho um respeito absurdo pelo America F.C. que inclusive está muito presente no meu novo livro. Lamento e torço pela reestruturação do clube.

ER: Você já lançou as camisas do Andarahy, Cattete, Hellênico e Tijuca FC. Qual a próxima? Sugerimos a do Manufatora, de Niterói.
KM: A próxima será o Palmeiras de São Cristóvão. A ideia é lançar uma camisa com um livreto explicativo todo mês.

ER: Pode nos dar uma ideia do volume de vendas de cada camisa destas?
KM: A do Andarahy vende bastante, sem dúvida é o "carro chefe" dessa febre. A do Hellênico é linda pela coloração, a do Cattete F.C vem com o livreto da campanha de 1917 (campeão da segundona) e homenagem a um player chamado René Raffin com o nome nas costas e o Tijuca F.C por ser um clube desconhecido de todos e por ser do bairro mais carismático do RJ.

ER: Qual o canal para comprarmos teu livro e tuas camisas?
KM: Diretamente pelo zap (21) 997915589. O livro Da Lama à Grama terá a segunda edição em breve e as pessoas já podem inclusive reservar. Garanto ser um livraço!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Flamengo Monta Estrutura para Canoagem de Velocidade na Gávea

O Flamengo já disputou mais de 50 modalidades esportivas (olímpicas ou não) ao longo de seus 120 anos de história. Pela primeira vez nestes anos todos, o Flamengo está construindo uma estrutura permanente de Canoagem de Velocidade em sua sede poli-esportiva na Gávea.

A estruturação da Canoagem do Flamengo é um sonho de alguns anos atrás do Flamengo que agora está se tornando realidade. Nos anos 80, o Flamengo chegou a ter um ou dois remadores praticando Canoagem na Lagoa Rodrigo de Freitas. Era mais por diversão do que por competição. Em 2010, a Presidente Patrícia Amorim contratou diversos atletas da seleção brasileira mas sem estrutura na sede do clube eles treinavam no Paraná.

A partir de 2016, o Flamengo terá canoas, caiaques, remos e equipamentos próprios e até escolinha na Gávea. Os atletas contratados morarão no Rio de Janeiro e treinarão no clube.

Quem vai comandar a Canoagem do Flamengo é o supervisor técnico do Departamento de Remo e Canoagem, Edson Figueiredo, com quem o Esporte Rio conversou. O técnico da seleção brasileira Pedro Sena deverá ser anunciado a qualquer momento.


Entrevista com Edson Figueiredo

ER: Quem está à frente do departamento de Canoagem do Flamengo?
EF: A canoagem será liderada pelo Supervisor Técnico do Departamento de Remo e Canoagem, o Edson Figueiredo, subordinada ao Diretor Executivo de Esportes Olímpicos, Marcelo Vido, e ao Vice-Presidente de Remo, Gerson Biscotto. O treinador que está sendo contratado pelo Flamengo é o Prof. Pedro Sena, que também faz parte do corpo técnico da Seleção Brasileira.

ER: A partir de 2016, o Flamengo terá escolinha na Gávea?
EF: Sim, ainda em fase de estruturação. Informaremos nos canais oficiais do clube quando o projeto tiver data de início.

ER: Qual a estrutura na Gávea para a Canoagem?
EF: A sede náutica do Flamengo terá estrutura completa para a canoagem.

ER: O Flamengo comprou canoas, caiaques e remos?
EF: Estamos aguardando pregão eletrônico via Confederação Brasileira de Clubes (CBC) para recebermos os novos barcos e remos.

ER: Os treinos serão na Lagoa Rodrigo de Freitas?
EF: Sim.

ER: Ao longo de sua história, o Flamengo teve quase todas as modalidades olímpicas. Uma das que ficaram de fora foi a Canoagem. Havia muita resistência por parte dos remadores que viam nos canoístas uma concorrência e uma ameaça que poderia "tirar alunos" do remo. Como está a relação entre Remo e Canoagem hoje?
EF: Hoje não existe resistência alguma, como jamais deveria ter existido. Acredito que se assim houve foi por falta de habilidade nas gestões da época para promover o entrosamento entre as duas modalidades. Remo e canoagem tem de ter entrosamento perfeito. Assim é e desejamos que sempre seja.

ER: Além da escolinha, o Flamengo vai contratar nomes de peso para montar uma equipe adulta?
EF: O clube montará equipe forte e competitiva caso tenha apoio da iniciativa privada. Do contrário, ira fomentar a base com a formação de novos valores.

ER: A Canoagem do Flamengo foi montada em 2010 pela então presidente Patrícia Amorim. Os canoístas contratados, a maioria da seleção brasileira, treinavam no Paraná e nunca vinham à Gávea. Desta vez será diferente?
EF: Caso o clube contrate atletas de elite (vide resposta anterior) eles treinarão na Lagoa Rodrigo de Freitas.

ER: O atual Presidente Eduardo Bandeira de Mello chegou a encerrar as atividades da Canoagem em 2014, quando dispensou todos os atletas. Por que o clube voltou atrás na Canoagem?
EF: As dispensas ocorreram anteriormente a 2014, por razões de reestruturação do clube. Esse processo de reestruturação se mantém, principalmente neste departamento.

ER: De 2010 para cá, o Flamengo obteve os seguintes resultados no Campeonato Brasileiro: 17º em 2010; 6º em 2011; 7º em 2012; 17º em 2013; não participou em 2014; 35º em 2015. Qual o objetivo a curto, médio e longo prazo?
EF: Formação de novos talentos participando de competições de canoa e caiaque.

ER? Última pergunta: a Canoagem tem diversas modalidades sendo aque apenas a de Velocidade e a Slalom são olímpicas. O Flamengo terá além da Canoagem de Velocidade alguma outra modalidade?
EF: Esta resposta esta diretamente ligada ao aporte de um patrocinador para a canoagem. Caso não haja, teremos Escola de Canoagem, competiremos em caiaque e canoa.”

Espera-se dias melhores para a Canoagem do Rio de Janeiro, que tem algumas equipes no interior, como Angra dos Reis, Cabo Frio e Macaé mas que a Federação de Canoagem do Estado do Rio de Janeiro ainda não conseguiu organizar um Campeonato Estadual.

A foto acima é de 2012.

domingo, 2 de junho de 2013

Entrevista com Francisco Alegria

Entrevista com Francisco AlegriaFranciso Alegria está à frente do excelente trabalho realizado nas categorias de base do Voleibol do Fluminense. Nesta entrevista ele também nos conta sobre as perspectivas do voleibol adulto no clube.

A foto é de Bruno Haddad/Divulgação FFC.
 

ER: Qual o objetivo do Fluminense para com o Vôlei do clube?
FA: Oferecer aos atletas e à sociedade a melhor formação de base possível, seja na área técnica, seja em sua formação pessoal. Mantendo sua tradição no esporte, visa também formar equipes competitivas que possam representar e engrandecer o nosso clube, cidade e país.

ER: Nos últimos cinco anos, o Fluminense se tornou o maior campeão do estado nas categorias de base. Qual o segredo do sucesso?
FA: Uma boa estrutura de trabalho, aliada à uma excelente comissão técnica que conta com total apoio e independência na condução da área técnica, que procuram uma constante atualização sejam em cursos de capacitação, experiências com trabalhos em equipes de alto rendimento e seleções Regionais e Brasileiras, profissionais estes com mais de 10 anos no clube. Todos esses conjuntos contribuem para auxiliar no desenvolvimento de nossos excelentes atletas, verdadeiros responsáveis pelo sucesso e patrimônio maior de nosso clube.

ER: Além do ginásio, qual a estrutura que o clube oferece aos atletas e técnicos do esporte?
FA: Temos também a quadra lateral para treinos técnicos e táticos. Além disso, contamos com uma academia de ginástica com preparação física específica para os atletas com mais de 14 anos. Contamos com um excelente departamento médico, com fisioterapia, nutrição e psicologia.

ER: Quantos atletas em todas as categorias o clube tem hoje? E quantos alunos na escolinha?
FA: Temos hoje 140 atletas nas 8 categorias - Mirim, Infantil, Infanto e Juvenil - masculino e feminino. Contamos também com 12 profissionais entre técnicos, assistentes e preparadores físicos. Contamos ainda com centenas de alunos de escolinha, nos turnos da manhã e da tarde.

ER: O que acontece com os atletas que estouram a idade da categoria juvenil?
FA: Dentro da visão de formar, procuramos contribuir na busca de parceiros para a continuidade de suas atividades em equipe que estão disputando o adulto, no vôlei nacional e internacional, como as irmãs Michele e Monique Pavão, Camila Adão, Fernanda Berti, Verônica, Jardel, Juliana Perdigão, Carol Freitas, Gabiru, Túlio, Marcela Correa, Mara, Juliana Paes e tantas outras.

ER: Você acha que falta uma competição adulta para manter os clubes que não disputam a Superliga em atividade no primeiro semestre?
FA: O calendário esta sendo debatido pelas equipes que estão disputando a Superliga e que tem altíssima competência, visando compatibilizar o calendário das competições e da Seleção Brasileira.

ER: O Fluminense conseguiu um patrocinador para a disputa do Estadual Adulto Feminino do ano passado. Será que vai conseguir de novo para 2013?
FA: Estamos buscando parceiros para viabilizar a participação do Fluminense nos Estaduais Adulto Masculino e Feminino além de torneios regionais. Bem como elaborando projetos de incentivos fiscais, federal e estadual, para em breve, assim que possamos contar com as certidões negativas de tributos, melhorar as estruturas e formação de novos atletas.

ER: O Fluminense é um clube de massa e que não vence o Estadual Adulto há muitos anos (33 anos no masculino e 16 no feminino). É possível superar as equipes profissionais da Superliga?
FA: Sim, tanto pela tradição, estrutura e conhecimento técnico, porem seria necessário a parceria com um patrocinador forte, a fim de poder arcar com as elevadas despesas na formação da equipe.

ER: Por que o Fluminense não consegue um patrocinador para ter uma equipe adulta na Superliga?
FA: Ultimamente os grandes patrocinadores, e de forma competente, têm preferido montar as suas próprias equipes a se juntar com clubes tradicionais no esporte, principalmente de futebol. Esta solução talvez seja por culpa de administrações passadas que não tiveram grande êxito e clareza na condução da parceria. Porém aos poucos os patrocinadores têm entendido as novas condutas dos clubes e de seus administradores em sua transparência e procurando oferecer ao investidor uma maior gerência na condução do projeto.

ER: Deseja deixar um recado final?
FA: Parabenizar pela iniciativa de divulgar e incentivar o esporte olímpico.

domingo, 26 de maio de 2013

Entrevista com João Tomasini, Presidente da CBCa

João Tomasini contou uma pouco de sua história, que se confunde com a história da Canoagem no Brasil, ao nosso blog. Ele também fala das perspectivas da CBCa em relação aos Jogos Olímpicos de 2016.

ER: Tomasini, pode nos contar um pouco de sua trajetória até assumir a presidência da Confederação Brasileira de Canoagem?
JT: Minha história vem desde o início da Canoagem no Brasil e se confunde um pouco com a própria história do esporte no país. Nos anos de 1975 e 1976 tive o início da minha prática esportiva na canoagem no interior do Rio Grande do Sul, época que comprei meu primeiro barco. Contudo, foi só em 1984 que aconteceram as primeiras competições no esporte. Em 1985 fui fundador e presidente da AECA em Estrela/RS. Em 03/05/1985 ocorreu a fundação da Associação Brasileira de Canoagem, durante a I Volta da Ilha de Vitória, em Vitória, ES, com a presença da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, sendo eleito Presidente o Sr. Uwe Peter Kohnen. Em 1987, fundamos a FECERGS, onde fui eleito vice-presidente. Já em 30/04/1988 foi eleita e empossada a 2a Diretoria da ABC, tendo como Presidente o Sr. João Tomasini Schwertner. Em 18/03/1989  fundamos a Confederação Brasileira de Canoagem - CBCa, com a participação das Federações dos Estados da Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Brasília, Goiás, Mato Grosso do Sul e RioGrande do Sul. Em 1994 fui eleito membro continental do Board da Federação Internacional de Canoagem, e em 1998 fui eleito 2o. vice-presidente da entidade, cargo onde permaneci durante 10 anos, sendo o segundo não-europeu na história da FIC a fazer parte do Comitê Executivo. Em 2010 fui eleito 3o. vice-presidente da FIC, mesmo ano que fui eleito presidente da ConfederaçãoSul-americana de Canoagem (CoSurCa).

ER: Qual o panorama que você traça da Canoagem no Brasil hoje?
JT: Tanto na Canoagem Velocidade como na Canoagem Slalom temos bem definidos os planejamentos estratégicos que culminarão nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e, também, posteriormente, para 2020. Hoje trabalhamos ampliando as categorias de base do país por meio de projetos como o Meninos do Lago, em Foz do Iguaçu, com a parceria da Secretaria Nacional do Esporte de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, de universidades, institutos e prefeituras. Atualmente também estamos buscando parcerias com a Marinha e o Exército brasileiros. Além disso também estamos ampliando a participação dos atletas brasileiros de alto rendimento nos principais eventos do calendário oficial das modalidades.

ER: Quais as suas expectativas para Rio 2016? Há chances de medalhas?
JT: As melhores possíveis. Acreditamos que estamos nos preparando de uma forma nunca antes realizada com importantes apoiadores e que agora teremos reais condições que conquistar a medalha olímpica.

ER: Os governos federal, estadual e municipal têm feito alguma coisa para desenvolver a Canoagem por conta das Olimpíadas?
JT: Certamente, o apoio dos governos em todas as esferas é preponderante para o sucesso esportivo do Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Programas como o Bolsa-Atleta do Governo Federal, os patrocínios obtidos por meio da Lei de Incentivo ao Esporte do Ministério do Esporte, os programas das bolsas estaduais, o apoio das universidades, institutos federais e prefeituras em eventos locais, enfim, toda a sinergia dessas forças juntamente com nosso trabalho de desenvolvimento do esporte certamente trará muitas vitórias para o esporte brasileiro como um todo.

ER: Há críticas por parte dos esportes em embarcações (Remo, Vela e mais recentemente Canoagem) em relação à estrutura das raias olímpicas de 2016: sujeira na Baía de Guanabara e Lagoa Rodrigo de Freitas, falta de espaço físico para guardar barcos e equipamentos e falta de estrutura para treinamentos. Como você vê esta questão? Dá para solucinar até 2016?
JT: A questão é preocupante no momento, mas a CBCa e a CBR, em parceria com a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e o Comitê Olímpico Brasileiro, estão sempre em busca de soluções para o Estádio de Remo da Lagoa, que certamente após as medidas que estamos estudando tomar se tornará um importante legado esportivo para a cidade e o Brasil. Acredito que sim, que conseguiremos solucionar todos os problemas até 2016.

ER: A Federação Internacional de Canoagem está ciente destes problemas? Ela tomoualguma ação perante eles?
JT: Sim, todos sabem e o fato discutido abertamente. Contudo, como disse antes, todos estão trabalhando para buscar as melhores soluções para o problema.

ER: Apesar de ser a cidade olímpica de 2016, o Rio de Janeiro não tem uma escolinha, equipe ou clube nas modalidades olímpicas de Canoagem. Por que esta falta de interesse no Rio?
JT: Temos atualmente clubes e escolas locais de canoagem que são importantes parceiros no desenvolvimento da canoagem como um todo na cidade, e não apenas as modalidades olímpicas e/ou paralímpicas. Porém, estamos implementando melhores condições de desenvolvimento desses locais econseqüentemente no crescimento da canoagem na região.

ER: O CR Flamengo, que investe em diversos esportes, tinha até 2012 seis canoístas da seleção brasileira, dentre eles alguns que até competiram em Londres 2012. O projeto da antiga diretoria do clube era de criar uma estrutura e escolinha ao lado de seu departamento de Remo na Lagoa Rodrigo de Freitas. Com a mudança de diretoria, o projeto foi abortado e o Flamengo saiu do esporte. Como a CBCa viu a saída do Flamengo do esporte? Faz falta à Canoagem ter clubes populares praticando o esporte sobretudo os de futebol?
JT: O CR Flamengo continua na Canoagem brasileira com cinco atletas vinculados ao clube carioca e que estão atualmente treinando junto à seleção brasileira no CT da modalidade em São Paulo.

ER: No último Campeonato Brasileiro de Canoagem de Velocidade, tivemos a estreia da maior potência olímpica do Brasil, o EC Pinheiros (SP). Qual o projeto do clube paulista e como a CBCa viu a entrada do Pinheiros na Canoagem?
JT: A inclusão do EC Pinheiros sob o patrocínio do BNDES foi uma grande conquista para a Canoagem brasileira. Contudo todos podem esperar que em breve teremos a inclusão de outros dois grandes clubes do esporte brasileiro.

ER: Por que apenas a Canoagem de Velocidade a Canoagem Slalom são olímpicas?
JT: Gostaríamos que tivessem mais modalidades, mas isto é critério definido pelo Comitê Olímpico Internacional.

ER: Em relação às provas disputadas em Londres 2012, haverá alguma mudança para Rio 2016?
JT: Isto está sendo discutido e em setembro teremos uma definição sobre o tema.

ER: Deseja deixar um recado final?
JT:Esperamos o apoio de toda a torcida brasileira pela canoagem, pois temos certeza que daremos muito orgulho ao povo do Brasil.

domingo, 5 de maio de 2013

Entrevista com Carlos Alberto Lancetta, Presidente da FARJ

Carlos Alberto Lancetta foi muito franco nesta entrevista. Critica dirigentes e clubes que fizeram Botafogo, Flamengo e Fluminense largarem o Atletismo; e critica políticos que querem a demolição do Estádio Célio de Barros. Também critica o continuísmo político em federações e confederações esportivas. Leia abaixo.

ER: Pode nos contar um pouco de sua tragetória até assumir a presidência da Federação de Atletismo do Estado do Rio de Janeiro?
CAL: Fui atleta de 1962 à 1972. Competi pelo Bangu Atlético Clube, pelo Botafogo de Futebol e Regatas e pelo Grêmio Esportivo Arte e Instrução, onde comecei a minha carreira de técnico após ter concluído o curso de Educação Física. Participei como técnico olímpico em Montreal 1976 e Moscou 1980. Participei ainda de três Campeonatos Mundiais (Düsseldorf 1977, Cidade do México 1979 e Roma 1981), além de participar também como técnico brasileiro em três Universíades (Sófia 1977, Cidade do México 1979 e Bucareste 1981). Ainda como terinador fui heptacampeão brasileiro como técnico chefe da equipe da A. A. U. Gama Filho. Assumi a presidência da FARJ em Janeiro de 2005 e atualmente estou iniciando o terceiro e último mandato porque sou radicalmente contra o continuísmo nas entidades de administração esportiva.

ER: Como você vê hoje o Atletismo no Rio? 
CAL: Vejo-o em estado desesperador. Os governos federal, estadual e municipal não entendem absolutamente nada sobre políticas públicas para o esporte. O maior exemplo disto é a demolição do único estádio de atletismo do nosso estado (estádio Célio de Barros) e a impossibilidade de utilização do estádio Olímpico João Havelange para a prática do Atletismo.

ER: Quase não se houve falar em Atletismo no interior do estado. Há pistas no interior? Como é o desenvolvimento dos atletas no interior? 
CAL: São muito poucas. A FARJ, através do Projeto Circuito Fluminense de Corrida Rústica e Caminhada, tenta levar o atletismo à cidades do interior do nosso estado. Estamos na terceira edição do projeto. No primeiro momento beneficiamos dez cidades do interior, no segundo momento doze cidades e este ano pretendemos finalizar atendendo a quinze cidades do interior. De que consta o projeto? De capacitação dos professores da municipalidade; de competição de crianças da rede municipal; de caminhada para pessoas da 3ª idade; de Corrida Rústica para toda a população local e entorno.
ER: Há muitos corredores de rua no Rio de Janeiro mas a grande maioria é amadora. Como levar os jovens corredores para o esporte? 
CAL: Através de iniciativas voltadas para a prática do atletismo através das unidades escolares. A prática de todos os esportes começa nas escolas.

ER: Há algum saudosismo da época em que os clubes de futebol eram fortes no esporte? 
CAL: Sim. Eu mesmo sou produto disto. Comecei no Bangu e competi durante quase 10 anos pelo Botafogo de Futebol e Regatas, que me propiciou bolsa de estudo, assistência médica, odontológica e pequena ajuda financeira.
ER: O Atletismo é o esporte que mais dá medalhas olímpicas. Mesmo assim, os chamados clubes olímpicos do Rio, abandonaram o Atletismo para investir em outros esportes que dão menos ouros. Referimo-nos principalmente aos clubes de futebol e ao Tijuca Tênis Clube. Como a FARJ vê isso?
CAL: A FARJ foi fundada em 1938 e tem como clubes fundadores o Vasco da Gama, Botafogo, Flamengo, Fluminense e o América, todos times de camisa e lamentavelmente hoje, só o Clube de Regatas do Vasco da Gama se mantém filiado.

ER: Existe algum projeto de trazer Botafogo, Flamengo e Fluminense de volta ao esporte? Há conversas com os dirigentes destes clubes? 
CAL: Não, pelo contrário. O Botafogo de Futebol e Regatas se desfiliou na gestão do presidente Bebeto de Freitas; o Flamengo na gestão da presidente Patrícia Amorim; e o Fluminense na gestão do esporte amador do professor René Machado. Todos estes são oriundos do esporte amador e conhecem profundamente a necessidade de apoio técnico e financeiro ao esporte de base que tem em disputa nos Jogos Olímpicos 141 medalhas.  
ER: O Vasco da Gama tem um projeto de construir uma Arena em Sâo Januário, o Flamengo quer revitalizar toda sua sede na Gávea e o Fluminense estuda projetos sobre o que fazer com seu estádio de futebol depois que seu Centro de Treinamento ficar pronto. A FARJ está atenta a estas mudanças? Perguntamos isso, pois seria uma forma das pistas de atletismo serem reconstruídas nestas clubes...
CAL: Estamos atentos a tudo que se refere ao atletismo, porém descrentes com os nossos dirigentes e políticos e desportivos (COB e CBAt).
ER: Após os Jogos Pan-Americanos de 2007, o Botafogo arrendou o Engenhão e praticamente fechou as instalações de Atletismo para atletas. A FARJ solicitou e solicita as instalações do Botafogo para treino dos atletas ou nunca houve esta tentativa?
CAL: Sim, na época o então prefeito César Maia ofereceu à CBAt, para a instalação de um Centro Nacional de Treinamento, a pista externa do Engenhão, e na ocasião o então presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, disse a ele que não havia interesse por falta de recursos financeiros para a manutenção. Pasmem: na ocasião, na confederação circulavam recursos em torno de R$ 18 milhões por ano!

ER: Quando o Botafogo alugou o Engenhão, houve um movimento interno do clube e até externo para que o Botafogo votasse a ter escolinha e time de Atletismo mas não foi para frente. O clube alegou que seria muito custoso. Contratar técnicos e professores já tendo todo o material de treinamento é tão caro assim?
CAL: Sim, mas lamentavelmente, tanto o presidente Bebeto de Freitas, como o presidente Mauricio Assumpção,  não deram a devida atenção aos pedidos do Departamento de Esporte Amador do Clube. Participamos de algumas reuniões com os dirigentes anteriores e mais recentemente com o professor Miguel Ângelo da Luz.

ER: Quem se destaca no Atletismo do Rio acaba se transferindo para São Paulo para equipes com patrocinadores mais fortes que brigam pelo título do Troféu Brasil. O que se pode fazer para manter estes atletas no Rio? 

CAL: Sim, o Rio de Janeiro é sem dúvida o maior celeiro de atletas de velocidade e saltos do nosso país. Porém aqui não temos as condições necessárias para mantê-los. Lei da oferta e da procura. Quem dá mais leva o atleta de melhor qualidade.

12) A Prefeitura do Rio promete construir um novo estádio de Atletismo no lugar do Célio de Barros. A FARJ acredita nisso? No caso do Autódromo, até hoje a nova pista não saiu do papel e a antiga foi demolida... 
CAL: Não acredito em nada que seja prometido pelos governantes atuais. O nosso governador Sergio Cabral prometeu-nos que o Célio de Barros não seria demolido para posteriormente afirmar que se isso acontecesse primeiramente seria construído um novo estádio e agora surpreendentemente o secretário da Casa Civil, Régis Fischer, disse que a empresa vencedora da licitação do Maracanã se obrigará a construir o novo estádio num prazo de 30 meses. Portanto, somente em março de 2016 é que teremos supostamente um espaço para treinamento e competições na cidade Olímpica do Rio de Janeiro. Parabéns aos nobres governantes pelo arrojado planejamento estratégico elaborado para o esporte de nossa cidade. Parabéns também ao COB e à CBAt pela conivência de aceitar passivamente tamanho absurdo.  
 
ER: Existe alguma chance do Célio de Barros ser poupado? 
CAL: A única chance prometida pelo secretário da Casa Civil Regis Fischer, através do atual secretário de Esporte e Lazer André Lazaroni, é que possamos retirar todo o nosso material de treinamento e competição antes de que o estádio seja implodido (cabe ressaltar que possuímos no interior do Célio de Barros equipamentos com valor estimado de aproximadamente 1 milhão de reais, adquiridos pelo governo federal por ocasião do Pan-americano de 2007, que foram repassados pelo COB à CBAt e que eu Carlos Alberto Lancetta – presidente da FARJ - sou o fiel depositário).
ER: Como é a relação da FARJ com a Confederação Brasileira de Atletismo? 
CAL: Atualmente muito boa. De janeiro para cá, porém sempre fiz questão de ser oposição aos 27 anos de ditadura do então antigo presidente. Sou radicalmente contrário ao nepotismo, ao corporativismo e a favorecimentos outros que sempre resultavam no aliciamento das  federações nas assembléias promovidas pela confederação. Por tudo isso nunca fiz parte do clã (feudo) governante, embora tenha sido treinador olímpico, atleta de destaque e administrador esportivo com sucesso.
ER: Os governos Federal, Estadual e Municipal, têm feito algo pelo Atletismo do Rio visando as Olimpíadas de 2016?
CAL: Não, absolutamente nada. E o exemplo disso é o tratamento que está sendo dado ao atletismo no primeiro ano do ciclo olímpico para 2016.
ER: Deseja deixar um recado final?
CAL: Lamentar que infelizmente faremos festa, no atletismo, para que atletas de outros países sejam beneficiados através de conquistas nas competições que terão em disputa 141 medalhas olímpicas.

domingo, 28 de abril de 2013

Entrevista com João Garrido, Administrador do Botafogo FA

Confira a entrevista com João Garrido, um dos administradores de Futebol Americano do Botafogo FR, que vai disputar o Torneio Touchdown no segundo semestre deste ano.  Ele é responsável pela relação entre o time e o Botafogo FR.

ER: Pode nos contar um pouco de sua tragetória até assumir a diretoria do futebol americano do Botafogo?
JG: Meu primeiro contato com o futebol americano foi aos 13 anos de idade, em uma equipe de praia, Falcões. O resultado não podia ser diferente, me apaixonei pelo esporte. Como jogador, fiz parte de grandes grupos e acompanhei de perto seu crescimento, ajudando dentro e fora de campo. Fui também convocado para a Seleção Brasileira e para a Seleção Carioca Sub19, além de ter sido eleito "Most Valuable Player" - MVP (melhor jogador) do campeonato mais tradicional das praias do Rio de Janeiro (Saquarema Bowl), Entre outros fatos importantes. O time de grama Botafogo Futebol Americano foi fundado por Ivan Franklin, fundador do Mamutes (time de praia), pelo treinador principal Carlos Lynho, pelo Diretor de esportes de praia Marcus Garrido (o Pai do futebol americano no BFR) e por mim. Nós demos o ponta pé inicial para que o projeto saísse do papel e entrasse em vigor. Contamos também com a ajuda de jogadores que foram importantes para o crescimento e andamento da equipe.

ER: Como funciona a parceria do clube com o time? O que o clube oferece ao time?
JG: Desde a fundação do Botafogo Futebol Americano houve um acordo com o Botafogo de Futebol e Regatas que autorizava o uso de seu nome, marca e escudo. Recentemente o clube abriu espaço para que o esporte fosse reconhecido de forma efetiva e permitiu que houvesse uma maior aproximação entre a nossa administração e a diretoria do Botafogo FR. Este foi um passo muito importante para integração e alinhamento com os objetivos do clube, afinal, somos todos Botafogo! A realização do recrutamento 2013 do Botafogo Futebol Americano na sede de General Severiano é um excelente exemplo de sucesso desta parceria.

ER: Qual o custo mensal do time? O clube arca com este custo ou o time tem patrocinadores?
JG: O custo mensal do time é bastante elevado e gira em torno de R$ 20 mil por mês. Na prática, hoje, os jogadores arcam com praticamente todas as despesas e utilizam equipamentos próprios. Não há ajuda de custo para atletas, comissão técnica ou administração do time. Estamos em busca de patrocinadores que acreditam no esporte tanto quanto nós e estejam dispostos a crescer junto com o futebol americano no Brasil.

ER: Botafogo FA, time de futebol americano de campo, tem vínculo com o Botafogo FR Mamutes, time de Futebol Americano de Praia Masculino, e Botafogo FR Flames times de Futebol Americano Feminino de praia?
JG: Há um vínculo formal entre as equipes de areia e grama, entretanto as administrações são independentes. Uma comparação didática é a diferença de estrutura que existe no vôlei de quadra e de praia: comissões técnicas e administrativas diferentes, mas havendo a possibilidade de haver atletas que praticam ambas as modalidades.

ER: O Botafogo vai disputar o Torneio Touchdown de 2013. Qual a expectativa para esta competição?
JG: O Botafogo Futebol Americano passou por algumas mudanças importantes em sua administração e, como mencionado anteriormente, está buscando uma sinergia cada vez maior com o clube Botafogo de Futebol e Regatas. Todas as ações realizadas até hoje, inclusive a realidade de treinos em um dos mais belos cartões de visita do Rio de Janeiro, aumentam cada vez mais a motivação de nossos atletas. A nossa expectativa? Ser campões do Torneio Touchdown 2013.

ER: Em 2012, o Botafogo foi eliminado nas 4as de Final do Torneio Touchdown. Dá para ir mais além este ano? Por que?
JG: Com certeza. No ano passado a equipe tinha total condição de ter chegado à final e, neste ano, temos convicção de que o time está mais maduro e de que os resultados virão como frutos de todo um trabalho que vem sido desenvolvido.

ER: Há uma divisão no futebol americano brasileiro. O Torneio Touchdown parece mais forte que o Campeonato Brasileiro. No entanto, o Brasileiro é a competição oficial da CBFA. É possível unir as equipes numa só competição e quem sabe criar duas ou três divisões?
JG: Entendemos que haverá ainda muitos ajustes na organização do esporte. Somos a favor do crescimento da modalidade. Atualmente, o Torneio Touchdown oferece maior visibilidade aos times que o campeonato organizado pela Federação. Não temos conhecimento sobre planos de criação de divisões.

ER: Além do Botafogo, Fluminense, Vasco da Gama e Botafogo Reptiles têm equipes de grama. Por que ainda não se criou um Campeonato Estadual?
JG: Inicialmente devido aos custos, que são bastante elevados. Por esta razão, os times cariocas buscaram privilegiar as competições nacionais. Além disso, o futebol americano jogado na praia ainda é muito forte no Rio de Janeiro, mobilizando os jogadores por ser de fácil acesso e ter custos baixos.

ER: Como você vê o interesse das meninas pelo esporte? Ainda há poucas equipes, principalmente no Rio.
JG: Vemos sim que há poucas mulheres. A modalidade assusta um pouco as meninas de maneira geral. Não estou muito por dentro do que se passa nas outras equipes, mas no Botafogo Flames, as novatas são sempre muito bem recebidas no time e isso contribui para que mais mulheres se interessem pelo esporte. Elas seguem firmes e fortes para o campeonato estadual e estão sempre à procura e de portas abertas para novas praticantes! Acredito que nas outras equipes isto não seja diferente.

ER: O Botafogo vai mandar seus jogos no Caio Martins? Qual o preço dos ingressos?
JG: Ainda estamos nos organizando para esta temporada, que começa a partir de junho. Acompanhem informações e novidades no site: www.botafogofa.com.br ou www.facebook.com/botafogofa

ER: Deseja deixar um recado final para a torcida alvi-negra?
JG: Obrigado pelo carinho e apoio de todos os torcedores. Vamos juntos rumo ao título! Continuem nos incentivando, apoiando, torcendo! Continuem vibrando, gritando, comemorando! É isso que nos move! “...Noutros esportes tua fibra está presente...

domingo, 21 de abril de 2013

Entrevista com Alexandre Póvoa, Vice-Presidente de Esportes Olímpicos do Flamengo

Entrevista com Alexandre PóvoaAlexandre Póvoa assumiu a Vice-Presidência de Esportes Olímpicos do Flamengo no início de 2013. Ela fala sobre os planos do Flamengo para cada esporte, a estrutura da Gávea e dá pista de que o Handebol pode voltar ao rubro-negro. Confira!


ER: Alexandre, durante sua infância você foi sócio e atleta do Basquete. Praticou mais esportes na Gávea, além do Basquete?
AP: Fiz escolinha de natação no Flamengo. Apenas como sócio, nunca em escolinha, jogava futebol, vôlei, entre outros esportes. Sempre gostei de qualquer esporte que tenha bola, até hoje sou praticante frequente.

ER: Qual era o clima no clube naquela época comparando com agora?
AP: Não gosto muito de saudosismos baratos, até porque a realidade do esporte era outra. O futebol não envolvia cifras milionárias como hoje e os atletas dos esportes olímpicos, com raríssimas exceções, viviam de ajuda de custo e “vale-lanche” ao final do treino. E as coisas funcionavam com uma harmonia total, muito saudável, não havia essa bobagem de dicotomia entre esportes olímpicos e futebol. O Flamengo vivia sem problemas a sua vocação de clube multiesportivo. Hoje, sinto que, talvez pela situação de penúria que vive o clube, e as cifras enormes que envolvem sobretudo o futebol, houve uma desintegração grande desse clima de harmonia. O ambiente é diferente, houve um esvaziamento das escolinhas, a ligação entre os esportes inexiste. É meio um “salve-se quem puder” e isso torna a sinergia do clube bem mais fraca. Sem saudosismos bobos, precisamos recuperar os velhos tempos nesse aspecto, entendendo as características de hoje.

ER: Muitas modalidades esportivas deixaram o clube dos anos 80 para cá. Entre outras foram Esgrima, Xadrez, Ginástica Rítmica, Handebol, Patinação,... Alguma delas te faz falta? Você pretende reintroduzir alguma no Flamengo?
AP: É impossível o Flamengo ter todos os esportes. Nosso planejamento para 2013 é criar projetos para garantir a sustentabilidade (leis de incentivo e patrocínios) dos nove esportes que temos sob nossa gestão – basquete, vôlei, ginástica artística, judô, tênis e os aquáticos (natação, nado sincronizado e pólo aquático). O nono esporte, que é a novidade, é o futebol de salão, que voltou a ficar sob a gestão da Vice-Presidência de Esportes Olímpicos.

ER: Como está a elaboração do plano diretor para a sede da Gávea?
AP: Estamos em fase inicial de elaboração de um Plano Diretor, capitaneado pela Vice-Presidência de Patrimônio, com a participação do Fla-Gávea e Esportes Olímpicos. Olhando a experiência de clubes como o Minas Tênis e Pinheiros, o importante é aprovar um Plano Diretor definitivo no Conselho Deliberativo para evitar futuros “puxadinhos” na Gávea. A partir da aprovação, ao longo dos anos, vamos correndo atrás de recursos para completá-lo.  A Gávea precisa crescer “para cima”, dentro dos gabaritos permitidos, para que criemos mais espaços para os sócios e atletas.

ER: Duas estruturas que existiam na Gávea até os anos 90 fazem falta aos sócios do clube que as utilizavam e ao próprio Flamengo pela tradição de conquistas: a pista de Atletismo ao redor do campo de futebol e o estande de Tiro, que ficava atrás do gol do Jockey Club. É possível reconstruir ambos os espaços? São dois dos esportes que mais dão medalhas em Jogos Olímpicos...·.
AP: Queremos otimizar o espaço da Gávea tanto no âmbito social como esportivo. O momento de discutir qualquer volta de esportes é agora, na elaboração do Plano Diretor. Queremos escutar os sócios para ver quais são as preferências, tudo é em tese possível, mas é claro que os esportes atuais terão prioridade.

ER: O Comitê Olímpico dos Estados Unidos vai usar a Gávea para treinamento durante os Jogos de 2016. A Gávea, infelizmente, abriga poucas modalidades olímpicas. É possível conseguir verba com os americanos para construir novas estruturas (inclusive as de Atletismo e Tiro mencionadas acima)?
AP: Encontramos um contrato firmado com o Comitê Olímpico dos EUA que não nos satisfez em termos de benefícios de longo prazo para o Flamengo. Propusemos a eles novos termos, que envolve um acordo bem mais amplo e estamos aguardando a resposta. Acho que o maior clube do Brasil e o maior Comitê Olímpico do mundo devem firmar um contrato à altura de suas respectivas importâncias. Isso envolve, sem dúvida, uma ajuda financeira, diretamente traduzida na reforma das instalações esportivas, muito maior que a anteriormente contemplada no contrato original.

ER: Como você viu a dispensa dos atletas de ponta de Canoagem, Ginástica Artística, Judô e Natação? Você participou desta tomada de decisão?
AP: Claro que participei! Eu sou o Vice-Presidente de Esportes Olímpicos. As pessoas não entendem, porém, que todas as decisões importantes nessa gestão - em qualquer área, do futebol ao social, passando da área financeira aos esportes olímpicos - são tomadas em colegiado, onde buscamos consenso. Mas cada um tem um voto na decisão final. Decisão tomada, a decisão é de todos. É assim que deve funcionar qualquer grupo, por isso a preocupação que todos os componentes tenham um alto nível para opinar sobre propostas para o futuro do Flamengo. Foram decisões duras, mas proporcionais à situação encontrada no clube na área de esportes olímpicos: R$ 17 milhões de despesas, R$ 2,5 milhões de receitas, com um buraco de R$ 14,5 milhões/ano de déficit. Três meses de salários atrasados, situações constrangedoras de ameaças de despejo de atletas por conta de aluguéis não pagos, dívidas com fornecedores, enfim, uma situação de verdadeiro caos. Decisões duras, mas necessárias. Queremos reconstruir a estrutura de esportes olímpicos em bases muito mais sólidas para voltar com esses esportes de ponta em futuro próximo.

ER: Já começou a reforma e recuperação do Ginásio Cláudio Coutinho da Ginástica Artística?
AP: Finalmente, agora no dia 02 de abril, está marcada a vistoria final da seguradora. Em eles liberando os recursos, o prazo para conclusão é de 3 a 4 meses. Esperamos estar com as obras concluídas no início do último trimestre de 2013. Por enquanto, provisoriamente, montamos um espaço no segundo andar do museu para tentar minimizar o problema, mas é claro que se trata de uma solução provisória não ideal.

ER: Há pelo menos dois anos o Flamengo diz que vai reformar seu Parque Aquático. Primeiro ia conseguir patrocínio porque tinha uma equipe de ponta. Agora disse que ia usar o valor dos salários dos atletas dispensados para iniciar a reforma. Em que pé está isso?
AP: Ninguém disse que ia usar os salários dos atletas para reformar a piscina. O que foi dito é que era um absurdo contratar sem patrocínio algum uma equipe inteira de natação (que custava R$ 5 milhões/ano) sem nem 10% dos custos cobertos por patrocínios e sem poder nadar no clube (na época, sabíamos apenas que a piscina não poderia receber atletas de ponta por problemas de manutenção). Por isso resolvemos, ao final de dezembro, pela não renovação dos contratos da natação de ponta. Quando assumimos, tivemos que literalmente fechar a piscina porque descobrimos que vazavam 6 mil litros de água por dia, com uma espantosa conta de R$ 500 mil / mês, Cabe ressaltar que a piscina não foi interditada para ser reformada imediatamente, precisamos de recursos, que estamos tentando buscar através de várias fontes. Portanto. que fique claro que a piscina foi interditada por uma questão óbvia financeira do valor da conta de água e, sobretudo, pelo fato do laudo dos engenheiros apontar para um risco iminente de desabamento da estrutura.

ER: A antiga diretoria apostava na Canoagem e desejava construir um espaço anexo ao departamento de Remo para a escolinha e garagem das canoas. Com a dispensa destes atletas, o Flamengo desistiu deste projeto?
AP: A Canoagem é um assunto da Vice-Presidência de Remo, seria interessante conversar com o José Maria Sobrinho, que comanda a pasta.

ER: Já foi noticiado que o Flamengo quer construir uma grande arena para esportes de quadra no lugar do antigo posto Esso. Como está isso?
AP: Esse é um velho sonho nosso – ter nossa própria arena – que está próximo. Precisamos ter todas as aprovações legais (inclusive da Prefeitura) e o projeto pronto e discutido internamente para levarmos à aprovação do Conselho Deliberativo. O assunto está caminhando rapidamente e esperamos até o final desse semestre já termos uma situação mais clara do processo.

ER: Cristina Callou, ex-vice-presidente de Esportes Olímpicos, contou em sua entrevista ao Esporte Rio que o Flamengo havia terceirizado o departamento de Tênis para uma empresa especializada. O Tênis continua terceirizado? Por que?
AP: O Tênis havia passado para a gestão do Fla-Gávea na última gestão. Agora volta à Vice-Presidência de Esportes Olímpicos e acaba a terceirização por um motivo simples: O Flamengo é um clube esportivo e por isso não faz o menor sentido terceirizar o seu âmago, a razão de existir do clube, a atividade-fim. Terceirizamos limpeza, serviços em geral, o que é atividade-meio para termos um clube forte.  Já estamos discutindo com o pessoal do Tênis a volta às origens. Começaremos com as escolinhas próprias para depois buscarmos voltar a ter equipes, sempre começando pela base.

ER: O Flamengo tem um timaço masculino de Basquete. Até recentemente, nem escolinha feminina o clube tinha, apesar de nos anos 60, o clube ter sido campeão mundial. O Fla vai reabrir a escolinha para meninas?
AP: Em termos de escolinhas, é uma possibilidade a ser estudada. Para equipes, novamente, a prioridade inicial é dar sustentabilidade financeira para reformar estrutura do clube e dar condições a evolução para os atletas dos esportes que estão atualmente funcionando no clube.

ER: E o time masculino de basquete continua depois do NBB?
AP: O basquete é o segundo esporte do clube em termos de preferência da torcida. Faremos de tudo para prover as melhores condições para que estejamos sempre disputando a NBB com condições de vencer.

ER: A imprensa esportiva noticiou em Janeiro e Fevereiro que o Flamengo teria times profissionais de voleibol a partir da temporada 2013/14. Seria um time feminino, com patrocínio da Nestlé e da Sky e um time masculino com apoio da EBX e da Sky. Isso é verdade? Ou da onde teriam vindo estes boatos?
AP: O vôlei é o segundo esporte em termos de popularidade no Brasil. É de interesse do Flamengo discutir potenciais parcerias para a disputa da Superliga, mas há dois empecilhos importantes no curto prazo: O primeiro é que hoje, para se formar um time de alto nível, o custo é muito elevado, o que torna as discussões mais complexas com os potenciais parceiros; e, segundo, a temporada está acabando, o que faz com que o curto tempo vire um inimigo.

ER: Com a arena para esportes de quadra, seria bom o Flamengo ter mais equipes adultas, pois se não o espaço vai ficar ocioso, concorda?
AP: Em tese sim. Mas devemos lembrar que essas equipes de ponta devem ser autossustentáveis e que, vestindo o manto sagrado, sempre temos que formar equipes em condições de disputar os campeonatos que disputa. Na base, nossa obrigação deve ser sempre formar cidadãos e jogadores para o futuro, nessa ordem. Nos esportes de ponta, temos que buscar a vitória sempre, o que torna o investimento necessário mais elevado, fazendo com que a formação de equipes fique mais cara. Mas como sonhar não custa nada, porque não imaginar times competitivos e patrocinados de basquete, vôlei e futebol de salão se revezando na nova arena para o deleite de todos nós rubro-negros? Vamos trabalhar para isso acontecer no médio prazo!

ER: Um esporte que é muito popular nas escolas mas que ainda não cresceu a nível adulto profissional no Brasil é o Handebol, esporte que o Flamengo praticou e conquistou diversos títulos. É possível reabrir a escolinha desta modalidade na Gávea?
AP: Agora, em tese, é possível, porque as dimensões da nova quadra de futebol de salão do ginásio Togo Renan Soares são as mesmas do tamanho oficial das quadras de handebol.

ER: A Bocha é um esporte paralímpico, que vai estar presente no Rio 2016. É um esporte bastante praticado no Sul do país e que o Flamengo já teve suas glórias na modalidade. É possível o Flamengo voltar a investir na Bocha e em outros esportes paralímpicos?
AP: A bocha não está sob a Vice-Presidência de Esportes Olímpicos, estando hoje sob a responsabilidade do Fla-Gávea. Há algumas atividades que ficarão mais como lazer dos sócios, não havendo a intenção de investirmos para competições.

ER: Qual o seu sonho particular enquanto que responsável pelos esportes olímpicos do Flamengo?
AP: Meu sonho é chegar ao final de 2015 com o orçamento dos esportes olímpicos 100% sustentável, com a estrutura da Gávea totalmente reformada e com todas as modalidades esportivas, com projetos próprios desde a escolinha até a ponta, crescendo e formando atletas. Enfim, abrir o caminho para tornar o Flamengo a maior potência olímpica do Brasil. Não troco isso por títulos importantes no curto prazo e nem por uma presença maciça de atletas rubro-negros na Olimpíada do Rio. Se puderem acontecer, ótimo. Mas garanto que o primeiro parágrafo, se realizado, garantirá a formação de cidadãos e grandes atletas, o que será a base para grandes conquistas no futuro e presença garantida nas futuras Olimpíadas.

ER: Muitos torcedores do Flamengo torcem pelo clube apenas no Futebol e dizem que o esporte olímpico é apenas prejuízo. O que você pode dizer a estes torcedores?
AP: É evidente que o futebol é, disparado, o esporte mais importante do clube. Negar o óbvio ululante é burrice. Mas a vocação do Flamengo é de ser um clube multiesportivo e devemos ter muito orgulho disso. Somos o único clube do Brasil que tem futebol e os demais esportes olímpicos fortes. O tamanho do Flamengo permite que tenhamos um clube social, futebol e os esportes olímpicos rodando de forma autônoma, sem prejuízos. Não existe contradição entre eles se o clube for bem gerido. A torcida do Flamengo é o pré-sal inexplorado do Flamengo que vai comprovar essa tese nos próximos anos.

ER: Deseja deixar um recado final?
AP: Queria agradecer e dizer a todos os rubro-negros pelo apoio recebido nos primeiros três meses e que não vamos recuar um milímetro na idéia de colocar o Flamengo entre os cinco maiores clubes do mundo. A situação do clube é caótica em termos financeiros e de organização. Mesmo com tudo que temos feito, dando alguns passos para trás, 2013 será um ano duríssimo para todos nós. Porém, a partir de 2014, com enormes trabalhos e sacrifícios, temos a certeza que daremos largos passos para frente. Dessa vez, conseguimos enxergar uma luz forte no fim do túnel. É podem ter a certeza que dessa vez não é “um trem vindo em nossa direção” e sim uma luz de esperança e de um futuro melhor para a nossa maior paixão. Abraços e saudações rubro-negras.